Eleição, Lula, poste e 2º turno

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Marcos Vinícius Anjos

“Chegando em primeiro ou em segundo, o candidato petista lulista, terá sob seus ombros o peso do discurso da inocência de Lula e a necessidade da desmistificação de eventual manipulação por um presidiário”.

Indefinição

O país vive dias de agonia, ha pouco mais de dois meses das eleições presidenciais a incerteza reina. A população está desmotivada, provavelmente, teremos a maior abstenção da história da república. Votos brancos e nulos também crescerão assustadoramente, em sinal de protesto.

Os candidatos ainda não empolgaram. Um “presidiário” mantém a liderança das intenções de votos e, caso não seja candidato, terá o poder de ungir quem irá para o segundo turno, provavelmente como primeiro colocado.

Candidatura de Lula

O PT e o lulismo resistem dizendo-se no páreo. Mas as circunstâncias são difíceis, nesse emaranhado que se tornou a condenação de Lula, só o questionamento da sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro, ratificada em segunda instância, poderia acenar com a alguma reversão na condenação do líder petista.

Elegibilidade de Lula

Questionar apenas a prisão em segunda instância não produzirá o apelo necessário à soltura de Lula. Tendo em vista que a Lei da Ficha Limpa foi sancionada pelo próprio petista, tornar-se-ia uma desmoralização para o judiciário, muito difícil de ser suportada pelos poderosos lavajatistas.

Lula hoje é um símbolo preso, isso é muito maior do que simplesmente mais um político preso. É um troféu para os afoitos lavajatistas e seus simpatizantes.

Mantê-lo preso, independente da materialização das provas, do devido processo e do direito ao contraditório sob os preceitos constitucionais, tornou-se uma condição imperativa para o avanço das teses lavajatistas.

Lula e o novo poste

Nesse cenário eleitoral de indefinição, curiosamente as atenções voltam-se para quem será o segundo colocado. O poste indicado por Lula poderá, mantida a atual fragmentação eleitoral e as expectativas de comportamento do eleitor, chegar à frente no primeiro turno.

Sob essa circunstância, o segundo colocado no primeiro turno terá maiores chances de se consagrar eleito próximo Presidente República.

Mesmo sustentando os 30% de intenções de votos, que o PT e Lula acreditam possuir, sobrariam pelo menos outros 45% para serem unificados sob o discurso de impedir que o país viesse a ser governado por um “poste” manipulado por um “presidiário”. Os 25% restantes seriam atribuídos aos votos nulos, brancos e abstenções.

Campanhas

Se as campanhas do primeiro turno estão meio difusas e indefinidas, as campanhas do segundo turno já estão claras, cristalinas. Ou seja, podemos apontar que a briga agora, entre os presidenciáveis, é para chegar em segundo no primeiro turno, tornando-se uma espécie de antipetista/presidiário, para invocar o conservadorismo nacional.

Chegando em primeiro ou em segundo, o candidato petista lulista, terá sob seus ombros o peso do discurso da inocência de Lula e a necessidade da desmistificação de eventual manipulação por um presidiário. Sobrará pouco tempo para falar sobre os problemas do Brasil.

Estratégia suicida

Entre outras confusões, o PT e Lula parecem querer transformar a eleição presidencial num grande debate sobre a suposta inocência do petista. Só assim conseguiriam invocar o sentimento de injustiça na magnitude da transferência de votos que pretendem, para colocar um candidato no segundo turno.

Já está claro que o PT e Lula esperarão até o os 45 do segundo tempo para anunciar algum substituto, provavelmente até meado de setembro, já as vésperas da eleição em primeiro tuno.

A estratégia lulopetista parece tentar manter a supremacia de Lula por mais tempo no PT e, criar as condições que julgam ideais para a transferência de votos.

Lula parece mais preocupado em perder a sua condição de liderança maior do petismo, do que perder a eleição para presidente.

Seguir apenas essa estratégia lulopetista pode levar a um encolhimento da legenda maior do que o experimentado em 2016, retornando o Partido dos Trabalhadores ao tamanho que tinha nos anos oitenta e noventa (1980/90).

A Dilma e o filme/série que retrata a Lava Jato

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*Rozilton Ribeiro

A série “O Mecanismo”, do diretor José Padilha, tem provocado comentários de apoio e repúdio nas redes sociais ao teor do roteiro que trata da Operação Lava Jato em exibição na Netflix.

Em entrevista ao Estadão o diretor disse que PT e PMDB desviaram bilhões de dólares dos cofres públicos.

Dilma foi uma das que se insurgiu contra o filme e a série, afirmando que o autor distorceu a realidade e propagou mentiras de toda ordem para atacá-la e ao Lula. Informou, também, que vai denunciar a Netflix por estar fazendo campanha política de forma escancarada.

Uma das mentiras se refere à frase “estancar a sangria” dita pelo senador Romero Jucá para frear a Lava Jato e que o cineasta atribui as declarações ao personagem do Lula.

Em resposta a Dilma sobre esse episódio José Padilha afirmou que ela cria uma cortina de fumaça sobre a frase fazendo um paralelo: Os bandidos entram na sua casa, estupram a sua esposa, matam seus filhos e roubam tudo o que você tem. Na saída, surrupiam seu isqueiro.

Por fim ele disse que a série mostra como PT e PMDB montaram um enorme esquema de corrupção de lavagem de dinheiro. Um esquema que lesou os brasileiros.

Como a participação clara de Lula e Temer, que durante boa parte do tempo foram sócios com a participação de um enorme esquema com empreiteiras.

E a esquerda quer polemizar o uso do termo “estancar a sangria”! Não é preciso ser nenhum Freud para concluir o que a esquerda revelou sobre si mesma ao se ater a este debate.

* Professor do Departamento de Administração da UESC, Mestre em Gestão Pública e Especialista em Marketing e Propaganda

STF e Lava Jato entre a Constituição e a prisão de Lula

“[…] por imperícia e principalmente por sensacionalismo barato, ministros pensando apenas na apoteose, colocaram o STF numa encruzilhada entre a prisão de Lula ou o enfraquecimento da Lava Jato. Eu, como cidadão, prefiro ficar com a Constituição.”
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Marcos Vinicius Anjos

Não resta dúvida que a Justiça brasileira esteja em uma enrascada criada por ela própria.  Como a sujeira escondida embaixo do tapete, setores importantes do judiciário tratam sua própria ineficiência e morosidade com descaso e até negligência.

Tornou-se lugar comum no país, processos levarem décadas para serem apreciados e julgados, crimes prescrevem sem causar nenhum constrangimento, nesse sentido, assegurar o cumprimento da pena o quanto antes seria o cenário ideal.

Mas o STF literalmente meteu os pés pelas mãos, talvez seja a pior composição do Supremo (voltaremos a esse ponto em outro momento). A maioria dos “Ministros Doutos” resolveu desrespeitar a Constituição, violando, sem cerimônia, o princípio da presunção da inocência.

Ao impor a prisão em 2ª instância o judiciário usurpou para si o que deveria ser função do Legislativo através de uma PEC – (Projeto de Emenda Constitucional), mas quem se importa? – Foi só o falso moralismo de alguns juristas, tripudiando sobre o que julgam ser a degradação da política, onde para eles, absolutamente ninguém prestaria.

Vejo na impressa que hoje (segunda, 02/04) juízes e membros do Ministério Público de todo o país pretendem entregar aos ministros do STF um abaixo-assinado requerendo a manutenção, no Supremo, da prisão após condenação em 2ª instância.

Antes de juízes e promotores se levantarem pela prisão em 2ª instância, muitos devem avaliar com honestidade seu desempenho e produtividade, buscando meios para auxiliar no enfrentamento dos muitos milhões de processos esquecidos nas prateleiras, gaveta e mesas dos Fóruns e Tribunais, destruindo vidas e expectativas de justiça.

Tanto a associação dos magistrados quanto o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), deveriam enfrentar o problema da morosidade e ineficiência nos processos com medidas concretas. Nada justifica o país ter um dos magistrados mais bem pago do mundo e uma das piores produtividades entre os sistemas judiciários.

Com continuidade de uma justiça morosa e ineficiente, certamente os criminosos que roubam o suficiente para pagar bons advogados, caros e bem relacionados, não terão problemas em permanecer conquistando a liberdade e o “direito à impunidade”.

Não será uma prisão em 2ª instância, parida no judiciário para atender lavajatistas, que resolverá o problema da justiça brasileira, aprovar a PEC da 2ª instância no Congresso e elevar a eficiência do judiciário, acabando com privilégios, são caminhos para um bom começo.

Finalizando, somos forçados a admitir, por imperícia e principalmente por sensacionalismo barato, ministros pensando apenas na apoteose, colocaram o STF numa encruzilhada entre a prisão de Lula ou o enfraquecimento da Lava Jato. Eu, como cidadão, prefiro ficar com a Constituição.

Vem ai a bancada da Lava Jato

“A “liga da justiça lavajatista”, como vem sendo chamada, apresentará como solução para todos os problemas do Brasil, o fim da corrupção praticada pelos políticos”.
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Marcos Vinícius Anjos

Segundo Voltaire (1694 a 1778), “o segredo para desagradar é dizer tudo”, ciente disso, nas linhas que se seguem tentamos analisar a perspectiva eleitoral dos lavajatistas, mesmo correndo o risco de desagradar muitos.

Força Política

O “lavajatismo” já é uma força jurídica e política na definição dos destinos do Brasil. Depois de disseminarem uma ampla criminalização da política, integrantes do MPF, da Justiça Federal e da Polícia Federal ambicionam migrar para a política definitivamente.

Promotores, magistrados, delegados e agentes, que atuaram nas diversas frentes e operações tocadas pela Lava Jato, devem se candidatar a cargos eletivos (deputados e senadores) nas eleições de outubro próximo.

Uma legião de candidatos pretende pegar carona na “onda” da Lava Jato e colocar seus nomes sob o crivo do voto.

As organizações sindicais  vêm estimulando candidaturas e mediando contatos com partidos, para avaliar possíveis legendas em condições de acolher os lavajatistas. Até o momento, já são 23 pré-candidatos declarados em 18 estados e no Distrito Federal.

Popularidade e credibilidade

Segundo o Ibope a popularidade e credibilidade da PF aumentou significativamente com a Lava-Jato. Aprovada por 70% dos brasileiros, fica atrás apenas das igrejas e dos bombeiros. Isso significa que a população aposta na PF para combater à corrupção.

Mas, a migração para a vida política exigirá aproximação às entidades de classe, campanhas com temas populistas, posturas de inquisidores sobre os males da corrupção e a projeção da imagem de salvadores da pátria.

Além do combate à corrupção, o discurso crítico por  reformas na área de segurança pública e a promessa de leis mais duras no judiciário, devem ser a tônica das campanhas destes candidatos.

Os Xerifes e a liga da justiça

Em geral os futuros ex-lavajatistas vão se apresentar como “xerifes” prontos para mudar a Lei ao sabor do que entenderem ser justiça, mesmo que para isso seja necessário rever a constituição.

A “liga da justiça lavajatista”, como vem sendo chamada, apresentará como solução para todos os problemas do Brasil, o fim da corrupção praticada pelos políticos.

Os penduricalhos

Temas como auxílios creche, moradia, outros penduricalhos e mimos recebidos acima do teto constitucional pela maioria do judiciário, muitos com supersalários, devem ficar longe da ética e das campanhas dos lavajatistas.

Ex-parlamentares

No histórico de ex-parlamentares vindos da PF e do MPF, constam o ex-delegado Protógenes Queiroz (PC do B), condenado pelo STF em 2014 na Operação Satiagraha, por vazamento de informações (violação do sigilo funcional) e o procurador Demóstenes Torres, ex-senador, cassado depois de ser apontado como parte de um esquema de corrupção ligado ao empresário Carlinhos Cachoeira.

As metas

O número de policiais federais já eleitos, cresceu de 7 para 24 em 2016. Dez legendas estão na disputa pelos lavajatistas e a expectativa é de eleger de 8 a 12 deputados federais e 2 senadores.

Entre os partidos, o Podemos, PSL, Rede e Patriotas são os mais insistentes na tentativa de filiação. Apesar do apelo pela ética na política, alguns disputarão a eleição por partidos envolvidos em denúncias na Lava-Jato.

Opinião

Mesmo correndo o risco de contrariar muitas opiniões, a percepção dos excessos e desmandos cometidos em nome da Lei, por alguns lavajatistas, comprometeram a noção de justiça e o zelo que deve ser assegurado às normas legais.

Não se pode fazer justiça “ajustando a Lei às conveniências de ocasião”, é preciso dar estabilidade e regularidade ao aparelho legal assegurando sua eficácia. Também, não se pode fazer sensacionalismo ou servir-se de artifícios a margem da Lei, como os vazamentos seletivos e a manipulação de prisões preventivas.

Não temos dúvida da necessidade do combate à corrupção, por isso, não pode haver desvios ou descaminhos embaraçados, os corruptos devem ser punidos por sua corrupção, não por se tornarem “brinquedos” favoritos nas mãos de muitos lavajatistas sedentos por um palanque eleitoral.

Corrupção 01 – A esperança na Lava Jato foi golpeada

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Marcos Vinícius Anjos

Hoje não há no país uma só viva alma que não saiba, conheça ou tenha ouvido falar de fonte segura, das atrocidades cometidas pelos executivos da JBS contra a institucionalidade brasileira.

Manipularam a PGR, conspiraram contra o STF e se julgaram na condição de definir os destinos do Brasil, do alto de toda a sua impunidade conquistada por méis escusos.

Líquido e certo como há corruptos é a certeza que a Procuradoria Geral da República tenha usado meios duvidosos para construir algumas de suas colaborações premiadas, como as dos Batistas.

A PGR, durante a era Jonot, reduziu a capacidade investigativa à escuta telefônica e aos prêmios lotéricos às delações premiadas feitas por criminosos confessos. (Técnica: entregue a mãe e ganhe a liberdade).

Métodos frágeis, condutas inadequadas, suspeitas de procuradores aliciados, trabalhando para a Lei e para o crime ao mesmo tempo trouxeram graves dúvidas ao modelo miliciano de fazer Justiça da PGR adotado por Rodrigo Janot.

A esperança na Lava Jato foi golpeada pelo fogo amigo das trapalhadas dos próprios lavajatistas. Agora a responsabilidade pelos reparos na imagem está a cargo da Procuradora Geral Raquel Dodge.

Corrupção 02 – Lava Jato também no judiciário

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Marcos Vinícius Anjos

A corrupção atingiu nível estratosférico devido a uma tradição de impunidade e complacência da sociedade. A roubalheira vigorou até que saturou e transformou a indignação em repulsa – ninguém aguenta mais.

A Lava Jato é fruto da sustentação popular ao simples cumprimento da Lei. Não deveria haver gloria adicional nem palco ao agente público que simplesmente faz o seu trabalho.

A própria omissão da justiça, por décadas a fio, gerou esse quadro de impunidade sistêmica que o Brasil experimenta hoje. Seria de muito bom tom uma Lava Jato também no judiciário.

Condenação de Lula, prisão e Lava Jato

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Marcos Vinícius Anjos

Há rumores fortes que Sérgio Moro divulgue, ainda hoje ou nos próximos dias, sentença sobre a posse do tríplex no Guarujá e do transporte do acervo presidencial,  envolvendo Lula.

Condenação

Sérgio Moro ficaria desmoralizado se absorvesse Lula depois de tantas idas e vindas, ele deve condenar o ex-presidente.

Mas isso nada significará para Lula, seus advogados já tem a certeza que um eventual recurso ao TRF da 4ª Região resulte em absolvição, como ocorreu com João Vaccari Neto.

Todo o esforço espalhafatoso e destrambelhado de alguns lavajatistas começam a ruir, pois, só delação não condena ninguém.

Mesmo não havendo documento comprovando a propriedade do apartamento, Sérgio Moro imputará a Lula alguns anos de pena.

Prisão

A sentença de Lula não será longa o bastante para implicar em prisão do petista. Ele ainda terá direito ao transito em julgado, podendo recorrer em liberdade para a segunda instância.

Se até hoje não houve prisão preventiva por esses processos, agora também não haverá. Sua defesa conseguiria fácil um habeas corpus.

Desafio, deboche e pouco caso

Lula vem desafiando o judiciário, debochando do MPF, fazendo pouco caso nas muitas declarações que costuma dar à imprensa.

Qual for a decisão, Lula aproveitará e capitalizará a seu favor.

Os petistas foram os primeiros a perceber que o lavajatismo meteu os pés pelas mãos com o acordo entre Rodrigo Janot e Joesley Batista.

Anabolizantes para o PT

Em desgaste crescente, a Lava Jato luta para derrubar Temer a fim de recuperar sua imagem e credibilidade. Para Lula tudo de bom, Temer com problemas e a Lava Jato perdendo prestígio.

O açodamento da Lava Jato e a obsessão da dupla Janot Fachin pela queda de Temer são anabolizantes para o PT.

O melhor dos mundos para os petistas: (1) Joesley Batista livre e imune penalmente, (2) PMDB e PSDB em baixa, (3) a Presidência da República acéfala  e (4) os lavajatistas desgastados pelos arroubos de Janot, por um STF dividido e por procuradores atuando como candidatos.

Para pressionar Temer, “lavajatismo” prende Geddel

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Marcos Vinícius dos Anjos

Já passou da hora de Geddel Vieira Lima responder por seus supostos crimes. Sua carreira acumula acusações de corrupção desde os anos noventa quando, ao Lado do lendário João Alves, protagonizou o escândalo dos anões do orçamento. Nos anos seguintes sempre esteve associado à suspeitas de delitos com o dinheiro público.

Agora, baseado nos depoimentos do operador Lúcio Funaro, do empresário e delator Joesley Batista no âmbito da Cui Bono e da operação Greenfield, a PF pediu e o juiz Vallisney de Souza de Brasília determinou, nesta segunda (06/06), a prisão preventiva de Geddel.

Em seu despacho o juiz autorizou a PF a “forçar entrada e arrombar portas e cofres, na hipótese de resistência de seu cumprimento”. Também autorizou “empregar força contra coisas existentes e todos os meios legais para o cumprimento do mandado”.

Geddel já havia oferecido à PF a quebra de seus sigilos bancário e fiscal, entregue o passaporte à Justiça e se colocado à disposição “para os esclarecimentos necessários”. Mesmo assim, duas semanas depois da iniciativa, foi submetido à prisão preventiva.

No despacho o juiz Vallisney de Souza alegou obstrução de justiça, Geddel teria telefonando para a esposa de Lúcio Funaro (doleiro preso), buscando informações sobre possível delação premiada. O magistrado baseou-se no depoimento do doleiro:

(Lúcio Funaro) “[…] estranha alguns telefonemas que sua esposa tem recebido de GEDDEL VIEIRA LIMA, no sentido de estar sondando qual seria o ânimo em relação a fazer acordo de colaboração premiada […]”.

Para fundamentar o pedido, o Juiz também alegou “risco a ordem pública e econômica” referindo-se a possível influência de Gedel sobre a Caixa (CEF):

Teria facilitado em troca de propina, “uma linha de crédito (da CEF) no valor de R$ 2,7 bilhões para a compra da ALPARGATAS, ocorrida em dezembro de 2015”, pelo grupo JBS.

Só agora (julho de 2017) haveria “risco à ordem econômica” por uma delinquência de 2015? Geddel deixou a CEF em dezembro de 2013.

Leia aqui o despacho do juiz Vallisney de Souza.

Opinião

Embora tenha muito para responder, essa prisão preventiva de Geddel é frágil e parece atender a outro propósito, pressionar Temer. Os argumentos apresentados pelo juiz: (1) a fala de um delator e (2) uma operação bancária de 2015, quando Geddel não estava mais na CEF, se mostram insuficientes para sustentar a preventiva na forma do Artigo 312 do Código de Processo Penal.

A defesa de Geddel já havia se antecipado abrindo mão dos sigilos bancário e fiscal, além de entregar o passaporte. Tomando como referência os casos de Aécio e Rocha Loures o STF também deve decidir favorável a soltura de Geddel em poucos dias.

Não se trata da possível culpabilidade, mas do açodamento, dos métodos frágeis e do oportunismo da iniciativa tardia .

Jogar com a narrativa dos fatos, estratégias e agendas de interesses não pode dar o direito a desprezar o “Direito”.

Sob sigilo, Lava Jato chega ao Judiciário

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Marcos Vinícius Anjos

As delações dos integrantes da Odebrecht, envolvidos em corrupção, continuam fazendo estragos no serviço público brasileiro. As expectativas agora se voltam também para o judiciário.

Os termos e registros das delações de ex-diretores da Odebrecht, que citam membros de diversas instâncias do poder judiciário e seus parentes, ainda se encontram sob segredo de justiça e sigilo nas mãos do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

Os nomes ligados ao judiciário, indicados pelos delatores da Odebrecht, compõem 25 pedidos de inquéritos formulados pela Procuradoria Geral da República.  Aguarda-se para os próximos dias a divulgação destas delações, a exemplo do que aconteceu com as delações envolvendo políticos.

A expectativa da divulgação tem suscitado novos cuidados com procedimentos de segurança.  O Ministro Fachin alterou sua rotina, passou a embarcar em aviões na pista de decolagem, deixou de almoçar no bandejão do STF, sua segurança pessoal foi ampliada em áreas públicas e reforçada nas residências de Curitiba e Brasília.

As delações dos ex-diretores da OAS também citam integrantes do judiciário. Pode-se abrir uma nova frente de investigações na Lava Jato (a operação Lava a Toga), que colocará a prova o corporativismo da classe e a vontade de mudar o país.

Em 16 de abril último, publicamos aqui o artigo Eliana Calmon: “Muita coisa virá à tona”, onde a ex-presidente do Conselho Nacional de Justiça afirmava:

“A Lava Jato pegará o poder judiciário num segundo momento. O judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação”.

Em 2011, Eliana Calmon referiu-se aos magistrados com desvio de conduta de forma bem veemente: “bandidos escondidos atrás da toga”. Parece que a ex-presidente tinha razão.

Solturas de Genu, Bumlai, Eike e Dirceu foi recado para Palocci

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Marcos Vinícius Anjos

As libertações do ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu, do amigo de Lula José Carlos Bumlai, do empresário Eike Batista e de José Dirceu podem ter sido um recado direto para Antônio Palocci retardar ou cancelar sua delação premiada, pois, o fim de sua prisão preventiva também deve estar próximo.

Quarto preso a ser solto em pouco mais de uma semana, o caso de Dirceu, condenado em primeira instância a mais de 31 anos por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa, pode indicar uma mudança de interpretação do STF sobre as prisões preventivas da Lava Jato.

Mirando-se nos exemplos de Genu, Bumlai, Eike e Dirceu, o ex-ministro de Lula e Dilma preso desde setembro de 2016, Antônio Palocci pôde abrandar sua sensação de abandono e descaso dos comandantes petistas.

Palocci percebeu que há outras forças atuando pela sua libertação, além dos seus advogados negociando a colaboração premiada. Agora, o ex-ministro passará a investir também, nos questionamentos sobre sua prisão preventiva.

Os rumores de acordo para frear a Lava Jato, entre as principais forças políticas do país, começam a fazer algum sentido. Quem será o próximo a ser solto?

Lava Jato: em 155 delações só duas são de políticos

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Marcos Vinícius Anjos

A eficácia da Lava Jato foi posta em cheque após as delações dos ex-diretores da Odebrecht, o baixo nível de adesão dos políticos demonstra que a perspectiva de impunidade dos poderosos ainda é muito forte no Brasil.

Dentre os 155 delatores que assinaram acordo de colaboração premiada na Lava Jato, apenas dois são políticos, o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) e o ex-deputado Pedro Correa (PP). Ainda não há confirmação da delação do ex-senador Gim Argello (PTB), negociada no ano passado.

A resistência dos políticos está relacionada à tradição de impunidade, ao foro privilegiado, ao tráfico de influência em setores do Judiciário, a lentidão da Justiça e as inúmeras brechas na lei para recursos protelatórios, acessíveis apenas aos que podem pagar pelos bons, caros e bem relacionados advogados do país.

Depois dos 78 ex-executivos da Odebrecht a lista de delatores empresários tende a aumentar. Na fila os integrantes da empreiteira OAS prometeram farta documentação.

Entre os políticos, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT) deve ser o próximo a fechar acordo de delação.  Preso desde setembro (2016), já está negociando os termos com a força-tarefa da Lava Jato.

O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), também se manifestou recentemente por uma delação, anunciando possuir informações e provas para “explodir o mundo empresarial”.

De forma objetiva, o mínimo risco de prisão preventiva, o corporativismo na defesa da classe, o instinto de autopreservação política e as dificuldades crescentes na negociação das delações, são os principais motivos pelos quais os políticos não se mostram propensos a colaborar.

Sem as delações a operação Lava Jato precisa correr contra o tempo, acelerando as condenações, para evitar prescrições de prazos ou desgastes com a prática da prisão preventiva.

Por outro lado, os benefícios alcançados pelos delatores começam a ser questionados. Prisões domiciliares em mansões, negligência na prática do trabalho comunitário e rotinas normais sem limitações punitivas, deixando a leve impressão que o crime compensou.

Entre o joio e o joio

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Marco Wense

Um bom e chamativo título é meio caminho andado para que o leitor se interesse pelo comentário, o que não impede que a decepção venha logo no primeiro parágrafo. Espera uma coisa e vem outra.

Em relação à Operação Lava Jato, com os escândalos revelados dia a dia, envolvendo políticos graúdos e miúdos, vários títulos já foram usados por diversos comentaristas políticos através de jornais, revistas e blogs.

Muitas vezes o leitor percebe a tendência do comentarista pelo título do artigo, e o viés político do jornal pelo destaque de primeira página, geralmente em letras garrafais.

Na minha modesta opinião, o título que mais se encaixou na Lava Jato, nesse lamaçal que toma conta do país, nessa classe política cada vez mais desmoralizada e putrefata, foi o de Carlos Ayres Britto, ex-presidente do STF: “Entre o joio e o joio”.

Diz Ayres: “Não se trata, porém, de separar o joio do trigo. A separação é entre o joio e o joio mesmo. Um tipo de joio frente ao outro, porque o segundo deles é ainda mais daninho à ordem jurídica”.

“Entre o joio e o joio” é o campeão dos títulos.