Eleição, Lula, poste e 2º turno

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Marcos Vinícius Anjos

“Chegando em primeiro ou em segundo, o candidato petista lulista, terá sob seus ombros o peso do discurso da inocência de Lula e a necessidade da desmistificação de eventual manipulação por um presidiário”.

Indefinição

O país vive dias de agonia, ha pouco mais de dois meses das eleições presidenciais a incerteza reina. A população está desmotivada, provavelmente, teremos a maior abstenção da história da república. Votos brancos e nulos também crescerão assustadoramente, em sinal de protesto.

Os candidatos ainda não empolgaram. Um “presidiário” mantém a liderança das intenções de votos e, caso não seja candidato, terá o poder de ungir quem irá para o segundo turno, provavelmente como primeiro colocado.

Candidatura de Lula

O PT e o lulismo resistem dizendo-se no páreo. Mas as circunstâncias são difíceis, nesse emaranhado que se tornou a condenação de Lula, só o questionamento da sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro, ratificada em segunda instância, poderia acenar com a alguma reversão na condenação do líder petista.

Elegibilidade de Lula

Questionar apenas a prisão em segunda instância não produzirá o apelo necessário à soltura de Lula. Tendo em vista que a Lei da Ficha Limpa foi sancionada pelo próprio petista, tornar-se-ia uma desmoralização para o judiciário, muito difícil de ser suportada pelos poderosos lavajatistas.

Lula hoje é um símbolo preso, isso é muito maior do que simplesmente mais um político preso. É um troféu para os afoitos lavajatistas e seus simpatizantes.

Mantê-lo preso, independente da materialização das provas, do devido processo e do direito ao contraditório sob os preceitos constitucionais, tornou-se uma condição imperativa para o avanço das teses lavajatistas.

Lula e o novo poste

Nesse cenário eleitoral de indefinição, curiosamente as atenções voltam-se para quem será o segundo colocado. O poste indicado por Lula poderá, mantida a atual fragmentação eleitoral e as expectativas de comportamento do eleitor, chegar à frente no primeiro turno.

Sob essa circunstância, o segundo colocado no primeiro turno terá maiores chances de se consagrar eleito próximo Presidente República.

Mesmo sustentando os 30% de intenções de votos, que o PT e Lula acreditam possuir, sobrariam pelo menos outros 45% para serem unificados sob o discurso de impedir que o país viesse a ser governado por um “poste” manipulado por um “presidiário”. Os 25% restantes seriam atribuídos aos votos nulos, brancos e abstenções.

Campanhas

Se as campanhas do primeiro turno estão meio difusas e indefinidas, as campanhas do segundo turno já estão claras, cristalinas. Ou seja, podemos apontar que a briga agora, entre os presidenciáveis, é para chegar em segundo no primeiro turno, tornando-se uma espécie de antipetista/presidiário, para invocar o conservadorismo nacional.

Chegando em primeiro ou em segundo, o candidato petista lulista, terá sob seus ombros o peso do discurso da inocência de Lula e a necessidade da desmistificação de eventual manipulação por um presidiário. Sobrará pouco tempo para falar sobre os problemas do Brasil.

Estratégia suicida

Entre outras confusões, o PT e Lula parecem querer transformar a eleição presidencial num grande debate sobre a suposta inocência do petista. Só assim conseguiriam invocar o sentimento de injustiça na magnitude da transferência de votos que pretendem, para colocar um candidato no segundo turno.

Já está claro que o PT e Lula esperarão até o os 45 do segundo tempo para anunciar algum substituto, provavelmente até meado de setembro, já as vésperas da eleição em primeiro tuno.

A estratégia lulopetista parece tentar manter a supremacia de Lula por mais tempo no PT e, criar as condições que julgam ideais para a transferência de votos.

Lula parece mais preocupado em perder a sua condição de liderança maior do petismo, do que perder a eleição para presidente.

Seguir apenas essa estratégia lulopetista pode levar a um encolhimento da legenda maior do que o experimentado em 2016, retornando o Partido dos Trabalhadores ao tamanho que tinha nos anos oitenta e noventa (1980/90).

Ciro Gomes, prisão de Lula e Judiciário

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Marcos Vinícius Anjos

“[…]Ciro Gomes se referia à Constituição. Cessar eventuais manobras, artifícios, sensacionalismo e principalmente a politização do judiciário”.

Depois de muitas interpretações e polêmicas, Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PDT, explicou na quinta (26/07) sua intenção ao dizer ha poucos dias, em entrevista à TV Difusora, do Maranhão, o seguinte:

“[Lula] Só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”.

A fala deu margem a muitas especulações dentro e fora da imprensa. Se a intenção foi mandar mais um recado para Lula jamais saberemos. Mas, houve quem entendesse como ameaça à força tarefa da Lava Jato e até como sinal de futura pratica totalitarista etc.

Muitos declarados paladinos da moralidade, da honra e da ética, mas, que se lambuzam com o auxilio moradia e outros penduricalhos pagos pelo Estado, além de bajuladores e da extrema direita “xucra”, soltaram os cachorros no pedetista.

Por conta da repercussão, o presidenciável esclareceu sua fala na última quinta (26/07):

 “A liberdade do Lula só será restaurada com a restauração do estado de direito democrático que perdemos na esteira de um golpe. Mas não é a liberdade do Lula, é a regularidade do império da Lei”.

Referindo-se a constituição, classificou a prisão em segunda instância como inadequada, pois, estaria fora do “mandamento constitucional”.

Encerrando o assunto, colocou na conta da imprensa o frisson causado pela sua fala.

 “O resto é intriga. Esses jornalões acham que vão me intrigar porque uma parte do baronato que eles frequentam é hostil ao Lula. E eu sou antagônico ao Lula também. Sou candidato contra o candidato do PT e tenho sido alvo do PT”.

Embora não tenha dito qual “caixinha” os juízes e Ministério Público deveriam retornar, cremos que Ciro Gomes se referia à Constituição. Cessar eventuais manobras, artifícios, sensacionalismo e principalmente a politização do judiciário.

Mais do que soltar Lula, Cito Gomes parece querer enquadrar o judiciário na Constituição.

Ciro e o espólio do PT

Vislumbrando chances reais, o presidenciável Ciro Gomes tenderá a abandonar o estilo “bang bang”, de quem nem sempre mede palavras […]“.
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Marcos Vinícius Anjos

Ciro Gomes, PDT, avança sua estratégia de convergência com a pauta política do PT.

Em suas aparições vem repetindo o discurso da revogação do teto de gastos do Governo, bandeira petista, criticando a reforma Trabalhista e o projeto de reforma da Previdenciária.

Recentemente, ao ser sabatinado pelo UOL, jornal Folha SP e SBT, criticou até o “Presidencialismo de Coalizão”, dizendo que parece “a soma de loucura com ignorância”, “inventado pelo (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso”.

Do alto de toda a sua inteligência, o presidenciável, atual pedetista, sabe que não será bem assim. Na campanha é preciso “correr para a galera” tentando assegurar votos.

Fora a crítica ao “Presidencialismo de Coalizão”, Ciro parece mandar sinais ao PT. Numa eventual negociação por impossibilidade de Lula, a pauta do PT já estaria contemplada por suas declarações.

O comportamento do presidenciável não é só reflexo de sua estratégia, também reflete o que o eleitor médio se permitirá ouvir para decidir seu voto.

Nos últimos anos “emburrecemos” o processo eleitoral, a destruição da política foi muito maior que o necessário ao combate à corrupção.

A restrição dos métodos de investigação penal no MP e PF, às delações e operações estruturadas, alimentaram vazamentos seletivos, politização do judiciário e o comprometimento de reputações públicas, antes mesmo que houvesse condenações.

O “justiçamento” a qualquer custo, até por cima da Constituição quase virou regra. Uma parte significativa do judiciário foi aliciada pelo “confete do clamor das ruas”, cuja lógica tende a ser mais emocional do que racional, mais ufanista do que técnica.

Depois de muita turbulência política, alimentada por interesses pouco alinhados com a estabilidade institucional do país, o desgaste sobre o debate das reformas tornou a grande maioria dos eleitores, por desinformação, hostis a qualquer mudança.

Ninguém quer saber do controle de gastos e equilíbrio das contas públicas, reforma da Previdência etc., só há espaço para apologia ao enfrentamento da corrupção.

Mas será que alguém discorda, que o combate à corrupção já seja uma obrigação do judiciário?

Voltando ao Ciro Gomes, ele é muito perspicaz e sabe que a reforma trabalhista era necessária, mas, poderá torna-la mais simpática aos contrários. Sobre o teto dos gastos, o pedetista também sabe a importância do limite, no máximo poderá colocar-se por mais recursos para a saúde, educação e projetos sociais.

Apesar do debate dominante praticamente abominar a reforma da Previdência, essa é uma necessidade imperativa para a perspectiva do equilíbrio fiscal.

Ciro tem se posicionando pela inexistência de déficit na Previdência, segundo ele, não há desajuste se consideradas as contribuições versus os gastos de todo o sistema de seguridade.

Sua observação superficial não contempla aspectos centrais como: o desequilibro e déficit cobertos pelo Governo nos últimos anos, as perspectivas da inversão demográfica, as distorções entre os segurados dos setores público e privado, além de outros aspectos que obrigarão um posicionamento claro do novo presidente, como os benefícios sociais pagos e o tempo de contribuição por exemplo.

Vislumbrando chances reais, o presidenciável Ciro Gomes tenderá a abandonar o estilo “bang bang”, de quem nem sempre mede palavras, para posicionar-se como candidato de uma “esquerda consciente”.

Ciro Gomes está demarcado território, tentando se habilitar a unção de Lula, num possível futuro espólio petista. Mas sabe, como bom político, que para chegar terá de se ajustar ao longo do caminho, evitando estaremos e isolamentos.

Para consolidar-se como candidato competitivo, a exemplo de Lula em 2002 quando buscou dialogo prévio com os empresários e a sociedade, Ciro Gomes não poderá fazer apenas o discurso limitado de contrários às reformas.

Para projetar alguma governabilidade, necessitará reconhecer a importância de realizar reformas no Estado Brasileiro.

No vazio que essa eleição presidencial está se tornando, seus planos eleitorais dependerão da exposição de suas ideias e da capacidade de demonstrar compromisso com a institucionalidade, afastando-se da armadilha do “emburrecimento” no debate eleitoral, provocado pelas candidaturas panfletárias e incendiaras, dos que pregam radicalismo, independente de estarem na direita, esquerda e até no centro.

O transe do PT e seus descaminhos

Ao não considerar outras possibilidades, além da candidatura de Lula, a tática petista pode se tornar suicida.
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Marcos Vinícius Anjos

Desde a prisão do ex-presidente Lula, há quase dois meses, que o PT parece anestesiado, fora um acampamento custoso e desarticulado, montado ao lado do cárcere, na PF de Curitiba-PR, não se registrou outra ação que oferecesse maior levante.

Atônitos, os petistas ainda não reagiram e não se sabe mais se reagirão. Com tanta experiência em populismo não souberam organizar maior resistência, nem lançar mão da comoção dos milhares de lulistas espalhados pelo Brasil.

À medida que o tempo passa, novas condenações poderão surgir com Lula ainda na cadeia, aumentando a dúvida sobre existência de culpa no cartório e causando mais desgaste ao ex-presidente.

Ao que parece, com Lula fora de circulação, o PT perde sua capacidade de articulação e de enfrentamento.

Pode-se imaginar o desespero de Lula, ao perceber que o clamor pela sua libertação está sendo minado dia a dia, quanto mais o tempo passa, cresce o conformismo com sua prisão, mesmo entre os aliados.

As muitas incertezas com o cenário político atual, a perspectiva da elegibilidade no embaraço que se tornou a legislação eleitoral brasileira e a falta de unidade entre os próprios petistas, têm consumido a capacidade de reação dos companheiros.

No próximo dia 27 de maio (domingo), o PT tentará uma reação. Após ser visitado pelo deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), nesta segunda-feira 21, o ex-presidente Lula autorizou a realização do lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República.

Os organizadores do lançamento da pré-candidatura petista já falam na participação de três mil cidades, onde o PT diz ter núcleos organizados.

Com Lula preso, esse evento será um teste de fogo para a capacidade de mobilização do partido no entorno da libertação e participação do ex-presidente no processo eleitoral.

Apesar do esforço programado para Domingo próximo, a questão central permanece sem ser enfrentada, a prisão de Lula e sua elegibilidade, o PT continua sem rumo.

Ao não considerar outras possibilidades, além da candidatura de Lula, a tática petista pode se tornar suicida.

Se não houver êxito na empreitada do ex-presidente, os petistas mais radicais ameaçam se retirar do processo eleitoral e não reconhecer o pleito presidencial.

Ao defender que “eleição sem Lula é fraude”, o PT realmente demonstra que, como diriam os compositores Beto Guedes e Ronaldo Bastos na Canção do Novo Mundo, “perdeu o trem da história”.

“Quem perdeu o trem da história por querer

Saiu do juízo sem saber

Foi mais um covarde a se esconder

Diante de um novo mundo”

Dilma, Lídice e o PT

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Marco Wense

A ex-presidente Dilma Rousseff e a senadora Lídice da Mata vivem o mesmo dilema quando o assunto em pauta é a composição da chapa majoritária.

Pelo andar da carruagem, a fritura de bastidores vai deixar como opção a Câmara dos Deputados. As duas vagas para o Senado estão comprometidas com outras legendas.

A ex-mandatária do país, que é do Partido dos Trabalhadores, quer ser senadora pelo Estado de Minas. Lídice, do PSB, busca a reeleição pela Bahia.

O problema é que os governadores Fernando Pimentel (MG) e Rui Costa (BA), ambos petistas, estão em negociação com partidos e políticos que protagonizaram o impeachment de Dilma.

Um único ponto discordante nas articulações de Costa e de Pimentel é o MDB de Michel Temer. O PT mineiro dá como favas contadas o apoio dos emedebistas. O da Bahia quer distância.

Pois é. Dilma e Lídice vivendo o desprezo dos “companheiros”, cada vez mais pragmáticos e fazendo a política assentada no que passou, passou. É coisa do passado.

A defenestração da “companheira” Dilma do Palácio do Planalto e a fidelidade histórica de Lídice com o PT são coisas que devem ser esquecidas urgentemente.

Dilma e Lídice simbolizam a injustiça do movediço e traiçoeiro mundo da política, onde a consideração e a gratidão são ingredientes secundários.

Lula, a militância e as ruas

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Marco Wense

O ex-presidente Lula, conversando com seus botões, como diria o jornalista Mino Carta, deve estar questionando a ausência da militância do PT nas ruas.

Não só da legenda, com suas lideranças regionais puxando o “Lula Livre”, como dos movimentos sociais historicamente ligados ao Partido dos Trabalhadores, exemplo do MST.

Uma surpreendente dormência parece generalizada, como se todos estivessem hibernados e sem nenhuma esperança de que algo possa acontecer a favor do líder maior.

Justiça seja feita, se não fosse a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional da legenda, a peteca do “Lula Livre” já estaria no chão.

Lula tem toda razão de ficar incomodado – e triste – com o sumiço da militância das ruas, em priscas eras combativa e atuante.

A silenciosa mágoa de Luiz Inácio Lula da Silva faz lembrar o filme Esqueceram de Mim.

PT recorre ao TSE

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Texto enviado pelo professor *Rozilton Ribeiro

O PT entrou com um pedido de liminar no TSE contra a Folha de S. Paulo, o portal UOL e o SBT por terem excluído Lula e a legenda das sabatinas eleitorais. Gleisi Hoffmann, presidente do PT denuncia a quebra da isonomia por parte dos veículos e, frente à ilegalidade, a configuração de campanha antecipada, uma vez que a Folha anunciou que os seis primeiros colocados seriam convidados, mas substituiu Lula e o PT pelo senador Álvaro Dias, sétimo colocado nas pesquisas.

A liminar pede, ainda, o cancelamento das sabatinas e a imposição de multa de até R$ 25 mil por campanha antecipada

*Professor do Departamento de Administração da UESC, Mestre em Gestão Pública e Especialista em Marketing e Propaganda.

Ciro, Mangabeira e o PT

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Marco Wense

O PT da campanha presidencial faz lembrar a última sucessão municipal em Itabuna, com Fernando Gomes, então DEM, disputando a prefeitura com o médico Antônio Mangabeira (PDT).

O Partido dos Trabalhadores, que só olha para o próprio umbigo, se autointitula como o representante-mor da esquerda brasileira, superior a todas as outras legendas do mesmo campo ideológico.

Vem mostrando na eleição presidencial que só olha para o seu lado, que é uma agremiação partidária da “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Trata os aliados como se fossem adversários. A presidente nacional da legenda, senadora Gleisi Hoffmann, com sua língua solta, já está sendo chamada de “maluquinha”.

A mais recente declaração de Gleisi, entre muitas outras desastrosas, foi a de que o PT não faz aliança com Ciro “nem com reza brava”.

A parlamentar, envolvida na Operação Lava Lato, com a Polícia Federal investigando suas atrapalhadas, esquece que a disputa pelo Palácio do Planalto vai para um segundo turno.

Outro detalhe é que o ex-presidente Lula, já condenado e preso, não será candidato “nem com reza brava”. O petista está enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

Segmentos mais responsáveis e lúcidos do petismo começam a se irritar com a “maluquinha”, que parece querer destruir o apoio do PDT à reeleição de governadores do PT, como, por exemplo, Rui Costa na Bahia.

A tal da Gleisi ataca mais os aliados do que os inimigos políticos. Aliás, já faz muito tempo que não diz nada de Michel Temer, Renan Calheiros, Bolsonaro e companhia Ltda.

E onde entra Mangabeira nessa história? É que o PT prefere um adversário no poder a um aliado que possa se reeleger em decorrência de um bom governo.

Muitos petistas votaram em Fernando Gomes, não só porque o governador Rui Costa pediu, mas para evitar a vitória do candidato do PDT, legenda que integra a base governista.

Conversei com alguns petistas neo-fernandistas. A maioria deles, entre eles muitos geraldistas, disseram que Mangabeira faria um bom governo, disputaria o segundo mandato e seria reeleito.

Com Fernando Gomes no Centro Administrativo Firmino Alves, fica mais fácil o retorno do PT ao comando da cobiçada prefeitura.

O mesmo acontece com Ciro Gomes. Os petistas sabem que o pré-candidato do PDT será um bom presidente. O PT só pensa nele.

Tenho dito que se Lula ficar inelegível e o PT não apoiar Ciro logo na primeira etapa eleitoral, o PDT tem que rever essa aliança com o petismo, inclusive aqui na Bahia.

As interrogações políticas

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Marco Wense

A maior interrogação não existe mais. Depois de vários capítulos, o prefeito ACM Neto, do Partido do Democratas (DEM), decidiu pela permanência no Palácio Thomé de Souza.

Muitos correligionários ficaram insatisfeitos com a decisão do alcaide soteropolitano, entre eles o colega de partido Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados e presidenciável.

Agora, as interrogações ficam por conta da senadora Lídice da Mata (PSB) e do deputado tucano João Gualberto, obviamente do PSDB.

Em relação a João, não acredito que saia candidato na sucessão do governador Rui Costa, deixando uma reeleição certa para o parlamento por uma pretensão fadada ao fracasso.

O melhor caminho é apoiar José Ronaldo, ex-prefeito de Feira de Santana por quatro vezes e segunda maior liderança do DEM na Bahia.

Outra interrogação é Lídice da Mata, até o momento sem saber o caminho a tomar, se disputa à reeleição ou sai candidata a deputada federal.

A chapa majoritária do governismo já está formada e sem nenhuma possibilidade de sofrer alguma alteração: Rui Costa (PT), João Leão (PP), Jaques Wagner (PT) e Ângelo Coronel (PSD).

Dois acontecimentos complicaram a situação da senadora, que fica cada vez mais distante da majoritária: a desistência de ACM Neto e a prisão de Lula.

Com ACM Neto fora do páreo, se perde o interesse de resolver o problema de Lídice. Quanto à prisão de Lula, a senadora fica sem seu maior “cabo eleitoral”.

É evidente que outras interrogações vão aparecer no decorrer do processo eleitoral, mas essas duas são a bola da vez.

Lula grava pronunciamento para ser divulgado após sua prisão

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Texto enviado pelo professor *Rozilton Ribeiro

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou locução para um vídeo de animação produzido pelo PT que será divulgado nos próximos dias. Segundo pessoas que acompanharam a gravação, os trabalhos foram interrompidos diversas vezes.

A cada frase a voz do petista ficava embargada. Em ao menos uma dessas vezes Lula chorou. Quem presenciou a cena atribuiu o choro ao tom emotivo da animação na qual Lula, em primeira pessoa, conta sua história desde a fuga da fome em Pernambuco em um caminhão pau-de-arara ao lado da mãe, dona Lindu, e cinco irmãos, até a trajetória como líder sindical, a fundação do PT e a chegada à Presidência.

 “Não tenho medo do que vem no futuro”, diz Lula no vídeo. Várias pessoas que estavam na sala de gravação também foram aos prantos junto com o ex-presidente. Diversos parentes de Lula estiveram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC nesta sexta-feira.

Entre eles os irmãos Frei Chico, Vavá (em uma cadeira de rodas devido a uma perna amputada em decorrência de diabetes) e Maria. Os filhos Fábio Lula e Lurian também estavam com o pai.

O PT buscará a melhor estratégia e o melhor momento para fazer uso dessa peça, resistirá apontando a candidatura de Lula para a presidência em outubro.

* Professor do Departamento de Administração da UESC, Mestre em Gestão Pública e Especialista em Marketing e Propaganda.

Wagner, plano B e a biografia de Lula

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Marco Wense

Ainda rende conversa a ausência do ex-governador Jaques Wagner no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, no ato de apoio contra a prisão do ex-presidente Lula.

Para muitos petistas, o não-comparecimento de Wagner sepulta qualquer chance de ele ser a opção do PT com a cada vez mais provável inelegibilidade de Lula.

Tem também uma ala da legenda achando que o sumiço de Wagner foi proposital. Ou seja, uma maneira de se afastar do plano B, já que sua vontade é ser senador da República.

Em comum entre as opiniões, o fato de que as justificativas de Wagner foram inconsistentes, alegando que tinha compromissos já agendados para o interior da Bahia.

Toda a cúpula do PT, aí incluindo o próprio Lula e a presidente nacional da legenda, senadora Gleisi Hoffmann, sentiu a falta de Wagner, tido como o nome da preferência de Lula para substituí-lo como candidato ao Palácio do Planalto.

Comentários maldosos também fizeram parte do cardápio opinativo, como, por exemplo, o de que Wagner não quer se indispor com a fatia do eleitorado que defende a Lava Jato.

Quem ficou bem na fita foi o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o plano C, que cancelou sua agenda para ficar junto do líder petista.

Outro comentário lá do lado de dentro do sindicato, que se transformou na trincheira do líder petista, foi o de que Wagner não terá uma foto com Lula no momento mais delicado da sua trajetória política.

É bom lembrar que a biografia de Luiz Inácio Lula da Silva vai ser lançada brevemente. Aliás, Lula já cobrou do escritor Fernando de Morais a finalização do livro.

Ao avistar Morais em cima de um carro de som, quando discursava, Lula, em tom de brincadeira, disse: “Eu estou quase pra morrer e você não termina minha biografia”.

Cadê o companheiro?

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Marco Wense

A ausência do ex-governador Jaques Wagner no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, em São Bernardo do Campo-SP, foi o assunto mais comentado no staff do PT.

Wagner não se despediu de Lula. Alegou que não podia cancelar seus compromissos agendados para o interior da Bahia, o que provocou muito burburinho entre os próprios petistas.

Wagner, carinhosamente chamado de “galego” pelo ex-presidente, era o companheiro que ninguém apostaria que não estivesse presente no ato de solidariedade ao líder-mor.

Justificativas de Wagner não convenceram as principais lideranças do PT, incluindo aí a presidente nacional da legenda, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann.

Para piorar a chata situação do sumiço de Wagner, muitos petistas disseram que o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, teria cancelado compromissos importantes para comparecer no “último” suspiro de liberdade de Lula.

Alguns petistas, no entanto, para fugir do assunto, preferiram comentar o não-comparecimento do presidenciável do PDT, o ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes.

Ficaram tiririca da vida com o pertinente e justo desabafo de Ciro Gomes: “Não sou puxadinho do PT e não serei jamais”. Ora, de novo querem que Ciro fique paparicando Lula?

Ciro passou 16 anos apoiando o PT na sucessão do Palácio do Planalto, sem “faltar um dia”, como diz o pedetista. Apoiou Lula, Dilma, e foi o mais ferrenho adversário dos “golpistas”.

Lula passou o tempo todo dizendo a Ciro que ele seria seu candidato na sua sucessão. E Ciro acreditava. Na calada da noite fez sua opção por Dilma. Deu no que deu.

Agora, no maior cinismo do mundo, querem que Ciro fique novamente atrás do PT, prestando solidariedade a uma legenda que o enganou por longos 16 anos.

E mais: o PT, se quiser sair grande desse confuso e imprevisível processo eleitoral, só tem um caminho: apoiar Ciro Gomes, já que as outras opções, do próprio PT – planos A, B, C… – e do campo centro-esquerda, não têm densidade eleitoral.

Se a disputa presidencial for para um segundo turno com dois candidatos da chamada direita, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin, a culpa vai ser 100% do petismo. E aí não cabe o argumento da “presunção da inocência”.

Pois é. Fugir um pouco do assunto do artigo de hoje. Mas termino com a mesma pergunta que o intitulou: Cadê o companheiro?.